4.01.2013

1° de abril de 2013


Distrito de Kensington, Londres – Inglaterra
1° de abril de 2013

06:52 AM

“Acordei oito minutos antes do despertador naquela manhã. Um alívio momentâneo percorreu o meu corpo, como se desafiasse a tecnologia de alguma forma. Meu horário biológico finalmente estava se adaptando com o fuso horário do novo país. O clima naquele quarto era gélido, talvez pela temperatura abaixo de zero que fazia lá fora, mas tudo ali parecia estar congelando. As cores nas paredes variavam em escalas de cinza, e em alguns cantos do ambiente era notória a umidade através das marcas deixadas pelos fungos, os móveis vitorianos pareciam me transportar para décadas atrás, como se estivesse dentro de um filme ou uma série histórica, o tapete persa estava empoeirado como o restante da mobília e decoração, e no teto as aranhas teciam as suas teias minuciosamente sobre o candelabro Tiffany, uma peça completamente antiquada para um dormitório. Pensei.

Fechei os olhos e contei até quatro, seis, oito... dez. Abri novamente. Olhei para a minha esquerda e lembrei que estava acompanhado. Estranho. Não sabia exatamente quem era, mas por alguns segundos senti um conforto inexplicável, pensei em acordá-la, mas desisti quando suas pernas repentinamente se entrelaçaram com as minhas. Sua pele estava quente e um arrepio percorreu o meu corpo. Naquele momento recordei-me de uma frase que havia lido em algum livro “tinha a sensação de que cada terminação nervosa do meu corpo era um fio desencapado”, quanta baboseira! Não acreditava no amor, não mais! A vida havia sido muito injusta quando me levou até aquele shopping há dois anos. Quando colocou a pessoa certa, no momento errado da minha vida, dentro de uma rodoviária que horas depois transformou-se num estacionamento onde demos nosso primeiro beijo, sim, como numa comédia romântica fictícia do século XXI. Engraçado que as pessoas costumam dizer que o melhor remédio para corações partidos é o tempo. Sinceramente? Não acredite nessa bobagem! Eu não sei o que há de errado comigo, se nasci no planeta errado ou o quê, mas o tempo nesse caso, funcionou como um velocímetro no seu ponto mais elevado. O tempo me instigava a duvidar, questionar, imaginar um futuro onde nossos caminhos se encontrassemO tempo me desafiava, confrontava os meus limites, media a minha paciência. Mas no final de tudo, não ia ser o tempo ou uma pessoa que me dariam uma nova chance. O desfecho dessa história era eu mesmo. Eu era o denominador comum. A pessoa que estava destinada a ampliar seus horizontes, sair na rua e encarar o mundo, se arriscar, se aventurar, se entregar por completo. Porque no final dessa melação, digo, da minha história, era eu quem precisava me dar uma nova chance.

– Bom dia – sussurrou grogue a voz ao meu lado.

Estava na hora de voltar para a minha realidade. Sorrir e fingir que eu daria a minha vida pelo coração batendo ao meu lado. Viver intensamente cada segundo daquele momento, mesmo que isso custasse uma mentira. Mesmo que ao apagar das luzes, eu só estivesse encenando para uma nova peça de teatro. Porque o meu coração foi esmagado há dois anos. E a poeira da indiferença e insensibilidade é a única coisa viva dentro de mim.”

07:00 AM

O jovem foi interrompido pela voz matinal. Seus olhos desviaram-se do seu equipamento de trabalho – onde seu texto autobiográfico acabara de ser registrado –, e voltaram-se atentamente ao som. A garota o saudara como todas as manhãs há dois meses. Bom dia.

Maldição! Como ele detestava essas duas palavrasSorriu e acenou.

2.18.2013

Monday Playlist: Big Bad World (from My Mad Fat Diary)

No final de semana comecei a acompanhar a série britânica My Mad Fat Diary, que atualmente está sendo exibida pelo canal E4 durante as noites de segundas-feiras. Para a primeira temporada foram encomendados 6 episódios, mas hoje vazou a notícia de que ela foi renovada para uma segunda, yay!

Quando assisti o episódio Piloto (Big Bad World) não estava esperando por grandes revelações, já tinha lido a sinopse e sabia basicamente do que a série se tratava. Acontece que depois de assistir ao primeiro episódio emendado com o segundo e logo após o terceiro (hein!?), me dei conta de que o seriado se diferenciava de tudo que já tinha visto. Gosto de séries adolescentes, mas se tratando de My Mad Fat Diary podemos dizer que trata-se de uma série jovem-adulta, afinal os personagens enfrentam problemas como qualquer outra pessoa, mas vistos por uma perspectiva independente. Autoconhecimento crítico, sexualidade, distúrbios mentais, conflitos na amizade, problemas de auto-estima e preconceito, são alguns dos assuntos abordados pela trama. 


Ambientada no condado de Lincolnshire — Inglaterra, na década de 1990, a história da série acompanha o desastre social que é a vida da protagonista Rae (Sharon Rooney), uma jovem de 16 anos acima do peso que mora com sua mãe excêntrica (Claire Rushbrook). Recém saída de um hospital psiquiátrico, ela se vê jogada em um mundo no qual não se sente à vontade.

Logo ela reencontra com sua amiga de infância Chloe (Jodie Comer), uma jovem que não conhece o histórico de Rae. Ela a apresenta para sua turma, que acolhe Rae à sua maneira. Sem perder o bom humor e sua crença no amor, Rae tem como principal objetivo perder a virgindade. Seu alvo é o jovem Archie (Dan Cohen).
No elenco também estão Nico Mirallegro, que interpreta Finn; Jordan Murphy, como o engraçado Chop; Ciara Baxendale, como a ingênua Izzy; Ian Hart como o Dr. Kester, terapeuta de Rae; Sophie Wright e Darren Evans como Tix e Danny Two-Hats, pacientes do hospital onde Rae ficou internada. A série é uma adaptação da obra autobiográfica My Fat, Mad Teenage Diary de Rae Earl

Traduzi algumas informações dos personagens que coletei no site British Comedy Guide, mas deixei os pensamentos da Rae no formato original: 



1. Rae Earl: Rae ou Rachel (seu nome verdadeiro) tem problemas de peso e está lutando com problemas de saúde mental também. Ela acaba de sair de sua estadia no hospital psiquiátrico, que cuida de pessoas com distúrbios mentais. Ela se descreve da seguinte forma: "16 years old, 16 stone and certified mad (well, for a bit). I have recently become inexplicably surrounded by total hotties but I have all the sexual experience and romantic pull of a slug."

2. Chloe: Tem 16 anos e é amiga de infância de Rae, tecnicamente a "melhor amiga". Rae a descreve como: "She's skinnier, more popular and better looking than me. No human can compete with her boobs. No one."

3. Archie: Tem 17 anos e é o garoto por quem Rae tem uma queda. Nerd, com uma grande personalidade e bom gosto musical, Rae iria amá-lo como o seu namorado. Ela diz: "Archie is so hot I literally want to wrap myself around his face like an angry, horny octopus. I don't even care that he likes to recite quotes from dead historical figures, I could watch his mouth move forever. When he plays the guitar I cry ACTUAL sex-tears."

4. Chop: Tem 17 anos e está sempre de bom humor. Ele claramente fantasia Izzy, mas será que ele sabe? Rae diz: "Chop will snort condiments for fun and knows how to organise a seriously sexy party. His softer side might be hard to see but I know it's there, under all the spliff-ends and empty bottles of Hooch."

5. Finn: Tem 17 anos e é conhecido por ser mal-humorado. Rae o descreve como: "Just because he owns a leather jacket, Finn thinks he's the Morrissey of Stamford. He walks around with a face like a slapped arse most of the time. Annoyingly, even with his grump-eyes on, he still manages to be a TOTAL Lincolnshire hot-pot and lady-part-tingler on legs."

6. Izzy: Tem 17 anos, é muito positiva e tem fantasias com Chop. Rae diz: "She is probably the happiest person I've ever met. She's never going to win a Nobel Prize or know her nine times table, but she knows how to bring the party. And that's what's important."

7. Tix: Tem 15 anos e é a garota com quem Rae fez amizade na ala psiquiátrica. Ela tem sérios problemas mentais (por exemplo, nunca pode ser tocada) e está vendo a reabilitação de Rae como uma esperança de que um dia poderá deixar a clínica também. Rae diz: "The world was horrible to Tix so she hid herself away from it in the local psych-ward. Except now she can't get out."

8. Danny Two Hats: Tem 19 anos de idade e permanece na ala psiquiátrica que Rae esteve. Ele tem alguns problemas e sempre usa dois chapéus — daí o seu nome. Rae o descreve como: "Danny Two Hats is sweet, generous and loves to dispense dating advice. He wears two hats to stop people interfering with his brain waves. Unsurprisingly, a long-term resident of the crazy-ward. Don't let him come to your parties."

Se vocês quiserem saber mais informações sobre os personagens, bem como sobre a série em geral, acessem o site oficial (que é muito interativo e também permite o acesso a páginas exclusivas do diário de Rae).

Trailer:


Uma das características marcantes da série é a trilha sonora, que tem uma bagagem musical nos hits da década de 80 e 90. Bandas como Oasis, The Verve, The Doubt, Suede, Bee Gees, The Charlatans, entre outras, ganham destaque nesse cenário. E como hoje é dia de Monday Playlist, resolvi compartilhar com vocês a playlist completa com todas as músicas que tocaram no primeiro episódio.
No total são 20 faixas, algumas mais populares do que outras. Abaixo listei as minhas favoritas. Espero que gostem — tenham uma ótima semana! ♡


Big Bad World (from My Mad Fat Diary) by Raone Sampaio Araujo on Grooveshark
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P.S.: Vocês podem fazer o download individualmente das músicas dessa playlist através do software GrooveDown, leia mais sobre isso aqui.

Créditos:
♡ Pics via Google Images;
♡ Brannan (Action) via The Tumblog of Daniel Box;
♡ Boutwell Magic Glasses (Action) via Radlab;
♡ Scallop Border Photo Layouts via Pugly Pixel;
♡ Paper Buffet via Pugly Pixel;
♡ Polaroid Frame via Fuzzimo;
♡ Polaroid photo, playlist and other funny stuff via E4.com;
♡ Font Bebas via Dafont;
♡ Font Pea Miss Priss via Kevin & Amanda;
cover font = my handwriting (not a font);

2.07.2013

Once

A primeira vez que ouvi falar sobre o musical Once foi quando a atriz e cantora Lea Michele, juntamente com o seu colega de profissão Darren Criss, cantaram Falling Slowly (click, click ♡) durante a realização do evento Big Brothers Big Sisters Of Greater Los Angeles – The Big Bash no Beverly Hilton Hotel. Logo que ouvi a canção fiquei completamente apaixonado pela letra, harmonia e doçura dos vocais. Não deu outra: fui correndo na internet pesquisar sobre o musical até então desconhecido por mim. E foi aí que descobri que o musical (versão Broadway) era na verdade uma adaptação do filme irlandês (de gênero musical) denominado Once, que foi escrito e dirigido por John Carney e estrelado pelos músicos Glen Hansard e Markéta Irglová (da dupla The Swell Season), que compuseram e executaram todas (exceto uma) as canções originais do filme. 

E ao longo da minha pesquisa, acabei descobrindo que o filme gravado em 2006, recebeu ótimas críticas e prêmios em 2008, como o Independent Spirit Award para melhor filme estrangeiro. E a música Falling Slowly de Hansard e Irglová venceu o Óscar de melhor canção original e foi indicada ao Grammy de 2008.


O filme é situado nas ruas de Dublin – Irlanda, onde um músico toca as suas composições próprias para arrecadar alguns trocados. E passando um dia por acaso, uma imigrante tcheca se encanta pelas melodias do músico e entra, sem querer, em sua vida. Quando menos percebem os dois estão compondo canções sentimentais juntos, e ao reconhecer o talento um do outro, começam a ajudar-se mutuamente para que seus sonhos se tornem realidade.

O enredo do filme retrata basicamente a realidade dos músicos de rua e todo processo dos primeiros passos de um artista que sonha em ter um álbum gravado. O que me cativou definitivamente foi a trilha sonora e também a simplicidade de como ele foi gravado. Aliás, é um filme de baixo orçamento que comprovou que para fazer sucesso não é necessário somente recursos financeiros, mas sim uma boa ideia e entusiasmo. E além dos aspectos visuais (fotografia, cenário, figurino) encantadores, é um filme envolvente, daqueles em que  você se coloca no lugar do personagem e vivencia a sua realidade.  

Simples. Profundo. Emocionante. E ao contrário do que você possa estar pensando, essa não é uma história de amor. 

Trailer:


Sempre pensei em fazer um post específico para Once aqui no blog, na verdade desde que o assisti pela primeira vez (final do ano passado) queria ter espalhado essa inspiração por aqui, mas por conta de vários empecilhos acabei atrasando a postagem. De qualquer forma, hoje deixo essa indicação cinematográfica para todos aqueles que curtem cinema e são apaixonados por música.

Minha ideia inicial era finalizar esse post com uma playlist das minhas músicas favoritas do filme, mas resolvi deixá-los na curiosidade para conferir enquanto assistem. Então, vou deixá-los ao som da música Falling Slowly em suas duas versões: a primeira delas foi gravada por Steve Kazee e Cristin Milioti (vocalistas do musical da Broadway de mesmo nome do filme) e a segunda, é a versão original do filme, com Glen e Markéta nos vocais.


broadway version

film version
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P.S.: O musical da Broadway mencionado nesse post foi uma adaptação do filme, baseado no livro de Enda Walsh que teve sua estreia off-Broadway no New York Theatre Workshop em 2011 e, em seguida, transferido para Broadway em 2012. A produção recebeu onze indicações para o Tony Award 2012, e venceu oito desses prêmios, incluindo o de Melhor Musical, Melhor Ator e Melhor Livro. O musical também ganhou o Drama Desk Award 2012 na categoria Outstanding Musical.  

Créditos:
 Once Cover via iTunes
♡ Rounded picture (inspiration) via Cerise n' pepper
♡ Tape Strips (Solid Sequel) via Pugly Pixel
 Pics via Google Images
 Information (film) via Wikipedia
 Information (musical) via Wikipedia
 Font Faraco Hand via Dafont
 Font Futurist fixed-width via Dafont